"A maior necessidade do mundo é a de homens; homens que não se comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus." Ellen G. White


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Será que vira príncipe?

Quando se trata de dias frios, como o de hoje, por exemplo, logo nos vêm à mente uma xícara deliciosa de chocolate quente, um balde de pipocas com um filme na telinha, e pra muitos é sinônimo de dormir de conchinha. É ou não é? Na verdade, o frio é um cenário propenso a ocasiões mais aconchegantes e frequentemente nos remete a questões românticas. Quero me deter nessa última (não que a comida não tenha seu espaço), pois para muitos é motivo de alegria, mas de tristeza também. Será por quê? Peço desculpas aos mais entendidos sobre o assunto, quanto à minha ousadia de querer explanar esse tema, sei que não chego aos pés do Hitch (conselheiro amoroso), mas sei também que para as moças esse é um assunto de grande importância e sabemos sim de muitas coisas a respeito de relacionamentos, mesmo que muitas vezes funcione só na teoria! Algo incontestável a respeito é - só é bom quando ambas as partes são beneficiadas, do contrário, pra que continuar com um relacionamento se o mesmo é destrutivo para um dos lados? É uma questão simples, mas a gente insiste em complicar. Estou generalizando, mas é só pra facilitar. Podemos comprovar esse fato quando, por exemplo, um casal rompe um relacionamento de anos. Daí quando são questionados quanto ao motivo do término, apresentam uma lista de sem fim de justificativas. Depois do período de choque, os próprios ex- amantes percebem que o término poderia ser resumido a uma ou duas questões: as diferenças eram maiores que as afinidades, por exemplo. Isso é complicado? Pra mim não é. Complicado é quando um ama mais e o outro ama menos. Ou um resolve terminar sem o consentimento do outro. Ou um está disposto a fazer dar certo, enquanto o outro já desistiu.Mais complicado apenas para a parte que foi rejeitada, mas mesmo assim não deixa de ser.
Outra coisa que me intriga, e que frequentemente é discutida aqui e acolá é essa coisa de pessoa perfeita. A metade da laranja, a tampa da panela (ou da frigideira, para as situações mais críticas), carne e unha, alma gêmea. Ah, fala sério! Tudo baboseira, sabe por quê? Imagine se a minha possível cara metade tivesse existido há um século atrás e alguém casou- se com ela no meu lugar e viveu feliz pra sempre até que a morte os separasse, e aí? Se eu acreditasse nessa história, estaria fadada e condicionada a anos de espera até perceber que a tal da alma gêmea nunca, de fato, tornaria a aparecer na minha vida. Fora a bagunça que haveria na minha árvore genealógica. Um monte de gente casando com a cara metade do outro. Injusto, não? Mas é mesmo! Por isso não consigo acreditar nessa história. Você provavelmente também não acredita. Mas tem gente que acredita. Mas não os condeno, afinal, os contos de fada estão aí, nos livros e filmes. Estão aí colorindo doces ilusões nas mentes cheias de sonhos e expectativas dos que sonham que o sapo um dia vai virar príncipe, ou que um dia encontrarão a princesa à espera de um beijo apaixonado. Lamentável, não? Na teoria, é lindo, romântico. Mas na prática só dificulta a nossa capacidade de discernir quem de fato merece estar ao nosso lado. Afinal, o que de fato torna uma pessoa digna de nós? Primeiramente, e principalmente, precisamos reconhecer o nosso valor, para a partir de então, poder valorizar - amar alguém. Do contrário, os sonhos românticos (na verdade realidades), estarão condicionados ao fracasso. É que a gente tem a péssima mania de projetar tudo o que valorizamos no ser humano (e que geralmente não temos) nas pessoas, sobretudo, nas que a gente ama. Irônico, não? Mas é o que fazemos, infelizmente. Acreditamos que exista uma pessoa feita sob medida para nós, fato que ocasionalmente é motivo para rompimentos, por quê? Pelo simples fato da outra pessoa não corresponder às nossas altas expectativas e ilusões. Quando encontramos a pessoa mais bonita, é ótimo. Principalmente quando ela nos corresponde, mas aí passada a chama da paixão, o que resta?  Percebemos então, que de fato, beleza não põe mesa, é preciso haver sintonia, semelhanças, mas diferenças também. Daí, rompemos, justo. Não seria nada bom, nem pra você e nem pra linda pessoa que você tinha ao lado, ficarem juntos se ambos de fato, não se amavam. Mas e quando encontramos o pacote completo, ou simplesmente encontramos quem de fato nos faz bem, mesmo que em silêncio? É ótimo, maravilhoso. Começa então a "primavera" do amor, as borboletas no estômago e você se sente num conto de fadas da vida real. Tudo vai muito bem, mas com o tempo tudo isso também some, assim como ocorreu no primeiro exemplo, e aí? Desistimos também? Sim, muita gente desiste. Mas será que de fato é uma boa alternativa, considerando o quanto essa pessoa nos faz bem, seria justo focar apenas nos defeitos dela? Foi um pouco difícil pra eu perceber, mas ninguém é totalmente perfeito pra ninguém. Sempre haverá certas coisas, que por mais que você não goste ou queira mudar na pessoa (ou ela também esteja disposta a mudar, com muito sacrifício), sempre estarão lá. E não é por que você quer que elas desapareçam, que elas vão desaparecer, porque você também as tem. São coisas diferentes, mas tem. Então pra quê sobrecarregar o outro de expectativas próprias que você mesmo nunca conseguiu superar? É inútil, perda de tempo. Enquanto nos preocuparmos em mudar ou outro (cara metade ou não), perdemos grandes oportunidades de completar, de fazer a diferença. Não com críticas ou conselhos desnecessários, mas com o desejo de amar genuinamente, sem pretensões, pelo simples fato da pessoa ser quem ela é (cheia de erros e acertos, assim como você).

Lembre- se: Enquanto nos preocupamos com a xícara (aparência e estereótipos), deixamos de saborear o chá (caráter, essência) que recebemos.


"Só se vê bem com o coração. O Essencial é invisível aos olhos." - Exupéry

Um comentário:

Deyze Kelly disse...

Gostei muito do texto :)